domingo, 31 de agosto de 2008

A vingança do mar


No segundo semestre, época de maré brava, tem sempre uma ressaca maior que leva embora um pedaço de areia. Vários fatores explicam como o fenômeno natural ganhou proporções tão grandes. Todos têm uma coisa em comum: a mão do homem. Reportagem da Jornalista Mariana Toniatti, no Caderno Ciência e Saúde, do Jornal O POVO, de 31/08/ 2008.

Até o início do século XX, Fortaleza dava as costas para o mar. A orla, margeada por dunas e amplas faixas de areia, tinha extensos coqueirais e áreas de mangue livres da ocupação. Os ventos e as correntes marítimas garantiam o equilíbrio do litoral. Vinham as ressacas, seguindo a tendência natural de avanço e recuo do mar, mas a faixa de praia estava sempre a salvo. Nada parecido com o que se vê hoje. Em alguns trechos já não existe faixa de areia. Paredões de rocha se estendem por quilômetros. Não dá mais para tomar banho de mar em alguns locais. Falta acesso.

A água cobriu plantações de bananeira, mercearias, casas e ruas inteiras ao longo do litoral cearense e ameaça derrubar outras construções a cada nova ressaca. A mudança radical veio com a instalação do Porto do Mucuripe, iniciada em 1939. "O recuo da linha de costa sempre existiu no Estado como fenômeno natural, mas passou a se mostrar mais freqüente a partir da construção do porto", diz Arilo Veras, coordenador do Conselho de Proteção Ambiental do Ceará.

Tentando administrar os impactos provocados pela abertura do cais, uma sucessão de intervenções alterou toda a dinâmica de transporte e alimentação das praias na Capital, o que em pouco tempo alcançou municípios vizinhos. O porto acabou virando bode expiatório na história da degradação da orla, mas outros fatores tiveram o mesmo impacto negativo. A destruição das dunas, por exemplo.

O problema não é exclusividade nossa. Em toda costa do País, há pontos acuados pelo avanço do mar. No início do mês, coordenadores do projeto orla de diferentes cidades do Brasil se reuniram para trocar experiências. Praias no Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo estão ameaçadas pelo avanço do mar. A tecnologia de contenção de marés pode resolver quase todos os problemas, mas a intervenção que resguarda uma determinada praia vai mexer com a dinâmica das praias vizinhas. Além disso, as obras são sempre milionárias. O mar está ganhando a briga.
Foto aérea da aviadora e fotógrafa norte americana Amélia Eahart, da orla marítima central de Fortaleza, das imediações da Av. Pessoa Anta, onde veem-se o prédio da antiga Alfandega e outros, em 1937.

As melhores fotos de Natureza 2008


Um dos concursos de fotografia de natureza mais importantes da atualidade, promovido pela Instituição para o Gerenciamento da Água e do Meio Ambiente, premiou esta semana seus oito vencedores, entre os 1.400 inscritos. O primeiro lugar ficou com o fotógrafo indiano Abhijit Nandi, com um retrato de uma mulher carregando uma criança em um vilarejo remoto no leste da Índia. A segunda imagem, também da Índia, mostra como a população se aquece em um lugar onde são escassas as roupas de inverno. A terceira, mostra um rio poluído; a quarta, um moinho de vento em um local degradado e a quinta, uma mulher de Gana transportando uma bacia d’água na cabeça. A sexta imagem é bucólica e mostra um pavão em área sombreada, a sétima, um cultura de arroz e a oitava um por do sol em uma praia repleta de pedras. As imagens estarão em exposição no espaço Mil End Arts Pavillion, em Londres, de 17 de setembro a 11 de outubro.

Reportagem da jornalista Luciana Vicária do Blog do Planeta. http://blogdoplaneta.com/colunaepoca/

sábado, 30 de agosto de 2008

Exposição: Atletismo em foco


Integrantes da equipe de fotógrafos do Diário do Nordeste, Gustavo Pellizzon, Kiko Silva, Thiago Gaspar e Daniel Roman foram selecionados, na noite de 14 de maio, para cobrir a 4ª edição do Grand Prix Caixa/Unifor de Atletismo, no Estádio de Atletismo da Universidade de Fortaleza. Enquanto os 160 atletas de 21 países, buscavam quebrar recordes e melhorar suas marcas, os quatro repórteres cumpriam sua sina cotidiana de transformar aquele esforço em informação através da força expressiva de suas imagens.


As 41 fotos da exposição “Imagens do Atletismo” confirmam como esta meta foi mais uma vez alcançada, a exemplo de edições anteriores, o que levou a organização da mostra a incluir ainda algumas fotos de coberturas passadas.


O evento organizado pela Confederação Brasileira de Atletismo contou com a participação de Jadel Gregório e Maurren Maggi, medalhista da Olímpiada de Pequim no salto em distância. “A exposição comemora a participação destes atletas na Olimpíada e ainda o mês da fotografia, levando para mais próximo da comunidade esse esforço”, considera Eduardo Queiroz, editor de fotografia do Diário do Nordeste, responsável pela curadoria da mostra ao lado de Cid Barbosa e da professora Liádina Camargo, , Chefe da Divisão de Arte e Cultura da Unifor.


“Temos um público acadêmico bastante jovem e esta exposição desperta nos alunos muita curiosidade, principalmente porque ela revela a emoção do atleta, em momentos fantásticos, únicos. É uma forma de aproximar o aluno do atletismo, estimulando a participação em atividades que oferecemos normalmente. E também estimulando os alunos das habilitações em comunicação, onde a fotografia recebe muita atenção”, afirma professora Liádina Camargo. O ensaio fotógrafico recupera flagrantes importantes para a comunidade, seja com cenas do cotidiano, seja de eventos importantes como o GP de Atletismo. Cenas que são publicadas às segundas-feiras no Caderno 3, do Diário.
Fotografia de Daniel Roman, reporter fotográfico do Diário do Nordeste, também colaborador deste blogspot http://geoparkararipe.blogspot.com/ e http://inventarioambientalfortaleza.blogspot.com/ Direitos autorais preservados.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Combate ao tráfico de fósseis pode ter reforço


O cenário de atuação e proteção ao patrimônio fossilífero da Bacia Sedimentar do Araripe poderá mudar. A perspectiva de fortalecer órgãos na região como o Departamento Nacional de Proteção Mineral (DNPM) e a abertura de um escritório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) poderão inibir tanto o tráfico de fósseis como a biopirataria. A região é considerada pelo DNPM um dos pontos do País onde o tráfico desse material é diferenciado. Ontem, foi aberto no Cariri o Simpósio Nacional sobre Atualidades da Pesquisa Paleontológica na Bacia Sedimentar do Araripe, em que questões voltadas para a preservação do patrimônio e fortalecimento da pesquisa foram abordados pelos palestrantes.
Matéria da Jornalista Elizangela Santos do Caderno Regional do Diário do Nordeste, com data de hoje, 28/08/2008. Fotografia de réplica do Santanaraptor placidus, de Daniel Roman.Mais informações:Museu de Paleontologia de Santana do Cariri(88) 3545.1320 Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da Urca, (88) 3102.1291.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Simpósio sobre Pesquisa Paleontológica e os 20 anos do Museu de Paleontologia da URCA

O Simpósio Sobre Atualidades da Pesquisa Paleontológica na Bacia Sedimentar do Araripe está sendo realizado entre os dias 27, 28 e 29 de agosto de 2008, no Campus do Pimenta URCA, no Crato em comemoração aos 20 anos do Museu de Paleontologia da Universidade Regional de Santana do Cariri. Vários pesquisadores nacionais e internacionais confirmaram a presença do mesmo, entre os quais o Prof. Diógenes de Almeida Campos do DNPM.

domingo, 24 de agosto de 2008

Barraqueiros da Praia do Futuro se colocam contra a proposta do Plano Diretor Municipal de Fortaleza

A Associação dos Empresários da Praia do Futuro lançou, na manhã deste domingo, o Movimento "Sou cearense, digo sim às barracas" com uma grande mobilização em torno dos sete quilometros daquela região leste do litoral da cidade.

Com a distribuição de panfletos, representantes da entidade apresentaram aos banhistas o motivo daquela manifestação. "Isso aqui é uma expressão da nossa indiginação com a proposta da prefeita Luizianne Lins de ferir de morte todo o turismo de Fortaleza, com a destruição de todas as barracas de praia de nossa cidade, da Praia do Futuro à Barra do Ceará", dissse Milton Ramos, empresário do setor.

Segundo Milton, a proposta de Plano Diretor estabelece a retirada de todas as barracas, embasado nas diretrizes do Projeto Orla. Durante esta semana, representantes do setor deverão participar de uma audiência pública na Assembléia Legislativa e de reunião na Câmara Municipal para debater o assunto."

sábado, 23 de agosto de 2008

Terra de contrates. Icapui: exemplo sustentável.²

O reuso das águas servidas é um diferencial importante no projeto.

As cisternas são diferentes das tradicionais, as de placa. O modelo está sendo aplicado pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (Ipec), de Goiás. Segundo o coordenador de campo do trabalho, Marcel Vitorino Beze, a iniciativa garante segurança alimentar. “Essa cisterna não tem vazamento porque não tem emendas. Além disso, por não ser enterrada, a manutenção é mais simples e não precisa de bomba, porque a pressão já é grande”.

A cisterna é feita com ferro e cimento e retém 11 mil litros de água.Como os equipamentos ficarão prontos em período de poucas chuvas, as cisternas estão sendo cheias com água de poço, à noite.Já a fossa com tratamento biológico é feita ao lado dos banheiros, também novos. O diferencial dessa tecnologia é que, no tratamento para reúso da água e do material orgânico, nenhum químico é utilizado. Além disso, há uma impermeabilização com alvenaria e tijolo de massa (nas laterais).

A construção é feita em forma de pirâmide. Nas partes vazadas, coloca-se entulho, substrato de coco e, por cima, a bananeira, cuja raiz passa pelo substrato, pelo material poroso e, por isso, entra em contato com a água já separada dos dejetos.“Essa tecnologia está sendo usada em vários Estados e países, como Austrália e Japão”, adianta, acrescentando que, depois que os usuários entendem que a bananeira não entrará em contato com os dejetos e a água a alimentará já filtrada, a aceitação é excelente.

“A gente nem sabia que isso existia. Mas é muito bom, porque até os turistas vão se interessar de saber que o tratamento de esgoto aqui é todo natural”, vislumbra Maria Santana Nascimento, 54, dona de uma pousada na Ponta Grossa. Em comunidades praianas, o máximo de esgotamento que existe é a fossa negra, que leva dejetos para o lençol freático.

Terra de contrates. Icapui: exemplo sustentável.


Iniciativa da Fundação Brasil Cidadão está transformando o hábito de três comunidades de Icapuí. Com o projeto, o ambiente está sendo renovado e o esgotamento sanitário e abastecimento d´água, regularizados ao ponto de garantirem segurança alimentar.


Quando se trata de mudar comportamento, no começo, tudo é difícil. Ainda mais quando os hábitos são arraigados, como a maneira de se relacionar com o meio ambiente. Icapuí, a 194,7 quilômetros Fortaleza, não foge à regra. Quando famílias das comunidades de Ponta Grossa, Requenguela e Barrinha começaram a ouvir falar em bananeira cultivada sobre o esgoto biológico, em plantar alga no mar, em guardar água da chuva por até um ano e em replantar árvores no mangue que já parecia tão verde, no mínimo, estranharam.


Houve certa resistência, mas foi só as comunidades conhecerem melhor o Projeto de Olho na Água — da Fundação Brasil Cidadão e patrocinado com R$ 1,8 milhão pela Petrobras — que o olhar sobre o ambiente mudou. Os resultados são visíveis. O peixe-boi, animal marinho que só sobrevive em ambientes limpos, já voltou a aparecer naquelas praias.


O projeto, entre 800 de todo o Brasil, foi um dos 36 selecionados com o tema água (único no Ceará) para ser posto em prática dentro de dois anos. O trabalho começou em abril do ano passado, com visitas, distribuição de cartilhas, envolvimento da comunidade, educação ambiental. Tudo isso para preparar o mais importante: o morador da área, de quem depende o sucesso do projeto.


De acordo com o presidente da Fundação, João Bosco Carbogim, a base da iniciativa é melhorar a qualidade de vida dos moradores com tecnologias baratas, autosustentáveis e de fácil replicabilidade, do ponto de vista da saúde pública e da ecologia. “Quando conseguimos gerar mudança de atitude, há respeito entre as populações e os ecossistemas”, frisa. Isso, no projeto, tem três frentes: diagnóstico, implantação de cisternas e de esgotos biológicos (fase atual) e a construção da Estação Ambiental Mangue Pequeno.Em Requenguela, o foco do projeto é a Estação Ambiental Mangue Pequeno, que deve ser construída até o fim do ano.


O projeto terá centro de referência, viveiro de mudas, passarelas suspensas ao longo dos caminhos já utilizados pelos trabalhadores (o que evita interferência e garante acesso a cadeirantes) e observatório da vida marinha. Tudo será feito às margens do mangue, o que deve gerar turismo científico e cultural. Matéria do Jornal Diário do Nordeste de 23 de agosto de 2008. Fotografia de Kiko Silva.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Série Terra dos Contrastes: Áreas de risco se proliferam


Pobreza, falta de planejamento, especulação imobiliária. O tripé é apontado como uma das principais causas da ocupação desordenada nas cidades, sejam grandes ou pequenas. À mercê do clima, as áreas de risco são as mais sacrificadasA localização das áreas de risco geralmente coincide com regiões de pobreza, qualquer que seja o tamanho da cidade. É no que acredita o diretor de assuntos fundiários urbanos do Ministério das Cidades, Celso Carvalho. Ele ressalta que as cidades não reservam áreas onde as classes menos favorecidas possam morar. “O que restam são regiões pouco preparadas, sem qualquer valor”, afirma ele.

É o caso do bairro Rio Doce, em Natal, cravado entre o rio e a linha do trem. Isso, ressalta, acaba gerando o que chama de “crescimento injusto”. Celso declara que “a ocupação das cidades é desorganizada porque o nosso quadro legal não prevê em que local as pessoas vão morar”.Carvalho acredita que a solução do problema passa pela criação de programas habitacionais que subsidiem moradias e que o loteamento das cidades seja revisto.
Neste sentido, ele aponta os Planos Diretores, o IPTU progressivo e as edificações compulsórias como os dispositivos mais adequados, cujos resultados poderiam ser vistos a longo prazo. “São maneiras de colocar no mercado terras que não estão sendo utilizadas e dar alternativas para que as pessoas tenham opções de moradia que atendam às necessidades desta parcela da população”, justifica.


Celso defende ainda ações de prevenção: “a urbanização das cidades precisa ser consciente”. Ao mesmo tempo, ele admite que a imprevisível variação entre extremos — cheias e secas intensas — é uma tendência mundial criada pelo homem contra a qual nem sempre é possível se precaver. “Mas é possível minimizar o tamanho das tragédias, por exemplo, coibindo a especulação imobiliária e a ocupação irresponsável de áreas de proteção ambiental”, diz ele. “Ao contrário, o que se vê é que quando se trata de uma área sem condições de habitação, mas com localização privilegiada e conseqüente potencial econômico, o poder público acaba providenciando a infra-estrutura necessária”.

Reportagem de Felipe Palácio/ Iracema Sales/ Maristela Crispim e Marta Bruno. Fotografia de Gustavo Pelizzon de situação favelizada às margens do Rio Potengi, em Natal. Publicada pelo Jornal Diário do Nordeste, em 19/08/200

domingo, 17 de agosto de 2008

Aves do Ceará


Professores da UECE fazem uma completa catalogação sobre as aves que vivem ou tem como rota o Estado do Ceará. Cantando ou em silêncio. Parados sobre árvores ou voando no horizonte. Livres na natureza ou até mesmo nas condenáveis gaiolas. De todas as formas, as aves encantam. E tão fácil quanto se perder diante do colorido desses animais alados, é ficar deslumbrado com uma publicação especialmente dedicada às “Aves do Ceará”. Esse é o título do livro de autoria dos professores István Major e Luís Gonzaga Sales Júnior, ambos da Universidade Estadual do Ceará.


Lançada há cerca de três semanas, a obra é anunciada como a primeira a traçar um inventário completo das espécies conhecidas de aves do Estado.Ao todo, são catalogadas 463 diferentes aves que tem o espaço cearense como morada ou apenas como rota migratória. Informações técnicas, como ordem, família, subfamília, nome científico e dieta das espécies estão presentes, logicamente acompanhados da denominação popular.


Do total, 219 são representados de uma forma especial: em belas ilustrações feitas por István Major. Para esses, há fichas técnicas com outros detalhes, além dos já citados. É possível saber o habitat das aves e como se dá a distribuição delas ao redor do planeta e em solo cearense. Textos explicativos apresentam as principais características das inúmeras famílias biológicas das aves, incluindo as diferenças entre elas.

Papagaiozinho verde, que tem o nome científico de Touit surda, que tem habitat nas matas secas e úmidas. Distribuição na Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil. No Ceará é localizado nas matas úmidas, do Maciço de Baturité.



Um paradoxo chamado água, na série "Terra dos Contrastes"

A partir de hoje, a série ´Terras de Contrastes´ mostra o que a água - ou a falta dela - traz de melhor e de pior. Equipes do Diário do Nordeste percorreram os Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba para saber como as pessoas convivem com os extremos impostos pela natureza. Muitas histórias, uma pergunta: como conviver com cheias e secas?

O objetivo desta série “Terras de Contrastes” é lançar um olhar mais atento em torno da disponibilidade de água. Não apenas sobre a influência das mudanças climáticas no equilíbrio do ciclo hidrológico do Nordeste brasileiro, mas também a relação do ser humano com esses recursos e sobre os contrastes de conviver com o excesso de água, quando se está acostumado à escassez, como ocorre no semi-árido. A região vai além dos Estados visitados e do próprio Nordeste, penetrando em parte de Minas Gerais e do Espírito Santo. E adversamente, inclui o Maranhão, que tem parte do território na Amazônia Legal.

sábado, 16 de agosto de 2008

Governo acena com proposta de recuperação do setor

Depois do processo de sucateamento do setor, agravado com o fechamento da Usina Manoel Costa Filho de Barbalha, o governo do Estado pretende, agora, reerguer a atividade sucroalcooleira no Ceará, mais especificamente na Região do Cariri. O secretário de Desenvolvimento Agrário, Camilo Santana, já anunciou que o governo busca atrair investidores para instalação de destilaria de álcool na região do Cariri.

“No entanto, pelo andar da carruagem, o projeto vai chegar atrasado”, diz o industrial Rommel Bezerra, proprietário de uma destilaria de cachaça no Crato, lembrando que a cada ano diminui a área plantada de cana na região. Já foram ocupados 10 mil hectares, produzindo 500 mil toneladas. Hoje, são apenas mil hectares, gerando 50 mil toneladas do produto. Rommel destaca que o governo vai começar pelo plantio de uma variedade que se adapte às terras e ao clima da região caririense.

A pretensão de recuperar o setor canavieiro já havia sido levantada pelo governo anterior, quando lançou o Programa Renovacana Cariri. A meta era, em cinco anos, elevar em 260% a produção de cana-de-açúcar no Estado, de onde se destilaria o álcool. Entretanto, apesar de gerar um aumento na quantidade de hectares cultivados, a revitalização esperada do parque industrial ainda não foi alcançada.

Engenhos de cana agonizam no Cariri


Os engenhos de rapadura do Cariri estão com os dias contados. Dos mais de 100 engenhos que funcionaram na década de 60, no município de Barbalha, restam somente cinco que estão agonizando. O fim da agroindústria canavieira, que durante 300 anos impulsionou a economia regional, está sendo denunciado por um fato inusitado. O gado está sendo solto dentro do canavial. A cana que seria moída pelos engenhos está sendo transformada em pasto.As velhas moendas estão virando sucata na bagaceira dos engenhos. Outras estão sendo vendidas para outros Estados para fabricação de cachaça e álcool.


Recentemente, o proprietário do Engenho Padre Cícero, Antônio Sampaio, vendeu para o Estado de Sergipe, por R$ 10 mil, um centenário engenho que funcionava no Sítio Venha Ver, a quatro quilômetros de Barbalha.Desiludido com a agroindústria canavieira, Antônio soltou o gado dentro das canas e anuncia a desativação do engenho, sob a alegação de que não compensa mais fabricar rapadura. “A falta de mercado, o preço baixo e as exigências do Ministério do Trabalho estão levando à falência uma das mais tradicionais atividades agrícolas do Cariri”, lamenta Antônio, acrescentando que tem procurado agregar outras atividades como produção de mel de abelha e fabricação de cachaça com a finalidade de melhorar a rentabilidade econômica. Mesmo assim, afirma, não tem futuro.


Reportagem do Jornalista Antonio Vicelmo, no Caderno Regional do Diario do Nordeste, com data de hoje. Reprodução com preservação dos direitos autorais. Fotografia do autor.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Centro Histórico do Aquiraz será restaurado pelo PRODETUR


Na próxima 2ª feira, 18/08/ 2008, segundo promessa do DER/CE, serão iniciados os serviços de restauração da Praça Conego Araripe ou Praça da Matriz do Aquiraz, do Mercado da Carne e da Casa do Capitão Mor, de acordo com as diretrizes do PRODETUR/ Progama de Desenvolvimento do Turismo e com recursos do BID/ Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Das situações, a que está em pior estado de conservação é a Casa do Capitão Mor, também conhecida como Casa da Ouvidoria, nome do primeiro núcleo judiciário do Estado do Ceará, uma edificação do Século XVIII. Sua estrutura está totalmente comprometida. Imagem publicada no Jornal O POVO, do fotogrado Mauri Melo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Duas novas publicações sobre o Geopark Araripe estão no prelo

Duas novas publicações sobre o Geopark Araripe estão no prelo, Cadernos Geopark ² sobre os Fossseis de Santana do Cariri e uma outra publicação mais completa sobre o Geopark Araripe, para lançamento no próximo mês de Setembro/2008, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleze. Ambas concebidas e compostas pela mesma equipe que contribui há mais de dois para a consolidação deste conteúdo, coordenada pelo Professor/ Arquiteto José Sales,com fotografias de Daniel Roman e projeto gráfico de Henrique Baima.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Advogada Lucíola Cabral lança livro sobre Normas Ambientais

“Competências Constitucionais dos Municípios para Legislar sobre o Meio Ambiente — A Efetividade das Normas Ambientais”, é o título do livro lançado pela procuradora do Município, Lucíola de Aquino Cabral, ontem, na sede da Procuradoria Geral do Município (PGM). A obra é a publicação da dissertação do Mestrado em Direito Constitucional da autora, concluído em dezembro de 2007, na UNIFOR/ Universidade de Fortaleza.

domingo, 10 de agosto de 2008

A campanha eleitoral avança e não existem propostas para Fortaleza

A campanha eleitoral avança em nosso município e não existem propostas para Fortaleza, da parte de nenhum dos candidatos em maior evidencia na midia. A cidade fragilizada expõe, em todos os seus bairrros o resultado de três anos e meio de gestão errática, onde a maior pontuação retrata a total ausencia diretrizes de qualificação urbana e gestão.

Promessas são tranformadas em campanhas de publicidade e nada se realiza. Obras são iniciadas e em seguida paralisadas sem justificativas quaisquer. Ações são priorizadas sem substrato técnico. Os organismos de representação profissionais que com sua ação deveriam orientar este debate estão também ausentes. Não existem comentários nem sugestões do IAB/ Institutos dso Arquitetos do Brasil/Departamento do Ceará, da AGB/ Associação de Geógrafos do Brasil/ Seção do Ceará e Instituto de Engenharia.

sábado, 9 de agosto de 2008

A APA ARARIPE


A APA ARARIPE/ Área de Proteção Ambiental do Araripe foi criada por Decreto Federal em 04/08/1997, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Possui uma área de 1.063.000ha e um perímetro de 2.658,55km. Está localizada na biorregião do Complexo do Ibiapaba Araripe, que se distribui pelos Estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, abrangendo os municípios de Missão Velha, Abaiara, Brejo Santo, Porteira, Jardim, Jati, Pena Forte, Barbalha, Crato, Nova Olinda, Santana do Cariri, Araripe, Potengi, Campos Sales, Salitre, no Ceará; Araripina, Trindade, Ouricuri, Ipubi, Exu, Santa Cruz, Bodocó, Cedro, Moreiândia, Granito, Serrita, em Pernambuco; e Fronteira, Padre Marcos, Simões, Paulistana, Pio IX, Caldeirão Grande, Curral Novo, no Estado do Piauí. Matéria relatada pelo Caderno Regional do Diário do Nordeste, da data de hoje, 09/08/2008.

Mapa da Biorrregião do Complexo Ibiapaba Araripe que abrange os Estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, onde se destaca a APA ARARIPE. Acervo de imagens Ibi Tupi.

Empossado o Conselho Consultivo da APA ARARIPE


Empossado o Conselho Consultivo da Área de Proteção Ambiental do Araripe, no início desta semana, no dia 04/08/ 2008, data de aniversário de criação da própria APA ARARIPE, que tem como presidente o geólogo Jackson Antero, chefe da Unidade de Conservação. A finalidade do Conselho é proporcionar a interação entre os diversos atores do município envolvidos com o meio ambiente o que é, para Jackson, “um grande passo para o fortalecimento de suas relações”. Ele destaca que o “Conselho tem como objetivo desenvolver, incentivar, coordenar, executar e administrar a realização de projetos que objetivem a conservação e a preservação do meio ambiente, bem como elaborar programas de conscientização ecológica das populações que fazem parte da APA”.


Na solenidade de posse, estiveram presente representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); do Ibama; dos governadores dos três Estados que fazem parte da APA — Ceará, Pernambuco e Piauí; prefeitos e secretários de meio ambiente e agricultura; as organizações não governamentais, associações, sindicatos rurais, entidades de classes e órgãos públicos dos 38 municípios da área da APA Araripe.


Matéria relatada pelo Caderno Regional do Diário do Nordeste, da data de hoje, 09/08/2008. Imagem do Parque Municipal do Riacho do Meio, no Município de Barbalha. Arquivo de Imagens Ibi Tupi. Fotografia de Daniel Roman. Direitos autorais reservados.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Qual é a opinião dos(as) candidatos(as) à Prefeito(a) de Fortaleza?


Ficou claramente definido pela primeira pesquisa Ibope-TV Verdes Mares que o futuro prefeito ou prefeita de Fortaleza será a atual titular do cargo, Luizianne Lins, ou o deputado federal Moroni Torgan ou a senadora Patrícia Sabóia. Esse trio está, na linguagem dos institutos de pesquisa de opinião pública, tecnicamente empatado.

Mas isto não interessa. O que interessa, pelo menos aos leitores desta coluna, é o que pensam esses três populares candidatos sobre as questões da economia desta cidade. É hora de eles começarem a falar sobre o que pretendem fazer para resolver, por exemplo, a questão dos comerciantes do Beco da Poeira, da Praça da Sé e da Feirinha da Beira Mar. Trata-se de uma questão social, econômica e urbana que mexe com o direito de ir-e-vir das pessoas, com a sonegação fiscal e com a qualidade de vida da cidade, que ficou feia de uns poucos tempos para cá.

Deu na Coluna do Jornalista Egídio Serpa, do Jornal Diário do Nordeste, de hoje, 07/08/2008. Reprodução unicamente para efeito de divulgação. Fotografia de Pedro Rocha, retirada so site http://www.overmundo.com.br/. Direitos autorais preservados sobre o texto e a imagem.

Um imenso equívoco para a cidade de Fortaleza


Um imenso equívoco irá se perpetuar na cidade de Fortaleza, promovido pela SEMACE/ Superintencia do Meio Ambiente do Estado do Ceará, representando o próprio Governo do Estado que é a pretensão de instalação de um gigantesca cerca de 5 quilometros de extensão que deverá ser instalada na linha limite de partes do Parque do Cocó.


A Prefeitura Municipal de Fortaleza tem que se pronunciar sobre esta proposta de "urbanismo aflito" que não consegue ser justificada pela SEMACE por mais que o Superintende Herbert Rocha a explique e a Polícia Militar emita nota que a solicitação foi de sua lavra

Geopark Araripe é destaque na FRANCAL

Geopark Araripe é destaque na FRANCAL, maior feira de calçados e produtos acessórios do Brasil. A Goóc uma das maiores produtoras de calçados e acessórios personalizados do Brasil lançou a linha Geopark Araripe deu destaque especial a este tema em seu imenso stand na Feira.

Calçados e bolsas inspiradas no Geopark Araripe, um conjunto de sítios geológicos e fósseis que é berço da paleontologia nacional, se transformou em uma linha Geopark Goóc que traz seis modelos de mochilas em lona reaproveitável marrom - cor que vem dos tons terras da paisagem local.

A estampa do fóssil de uma libélula que data milhões de anos é o símbolo usado pela Goóc na criação da Linha Geopark Araripe. Em tons terra, uma homenagem ao parque brasileiro que é patrimônio mundial.Para a Goóc, a Linha Geopark vai além.

"Por meio desta linha, pretendemos apresentar aos brasileiros a riqueza que têm em seu solo e sua própria, valorizando aspectos do país e suas belezas naturais", conta Thai Quang Nghia, presidente da Goóc.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Audiencia Publica do Plano Diretor do Crato aprova relatório da Síntese


Audiencia pública do Plano Diretor Municipal do Crato - PDM CRATO aprova a Sintese das Leituras Técnica e Comunitária, que significa o Diagnóstico da Situação Atual do Município do Crato. A próxima etapa que se inicia, nas próximas semanas trata de reuniões temáticas sobre OBJETIVOS E ESTRATÉGIAS de forma a informar aspectos de revisão do Plano de Estruturação Urbana. Quase cem pessoas participaram desta audiencia pública que foi realizada no Auditório do Centro Cultural do Araripe/ Estação Crato.

Uma das principais diretrizes já assumidas é o futuro Plano Diretor Municipal priorizará aspectos da preservação e proteção do meio ambiente no território municipal, que é dotado de imensos ativos como a APA ARARIPE, FLONA/ Floresta Nacional do Araripe, Reserva Ecológica do Sítio Fundão e Geotope Batateiras do Geopark Araripe, dentre outros.
Imagem da Cachoeira do Lameiro, no Rio Batateira, na Sede Urbana do Crato. Arquivo de Imagens Ibi Tupi. Fotografia Daniel Roman. Direitos autorais reservados.

sábado, 2 de agosto de 2008

CAGECE dia que Canoa Quebrada já tem água e esgoto

Sobre o comentário Mais qualidade para o turismo, publicado ontem neste blog, a Companhia de Águas e Esgotos do Ceará (Cagece) informa e esclarece: 1) atende às áreas turísticas nos locais em que é a concessionária do serviço de água e esgoto; 2) em relação às praias citadas, a Companhia informa que Canoa Quebrada, em Aracati, já possui atendimento de água e esgoto; 3) em Jericoacoara (Jijoca), a Cagece está finalizando um investimento de R$ 3,23 milhões em obras de implantação da rede de esgotamento sanitário e na expansão do sistema de abastecimento de água, com o que toda a população local será atendida; 4) para o Cumbuco, em Caucaia, a Cagece licitará, neste mês de agosto, um estudo de viabilidade ambiental para a implantação dos sistemas de água e esgoto sanitário; 5) no caso do Porto das Dunas, no município de Aquiraz, a Cagece está firmando convênio com a Prefeitura para investir R$ 17 milhões em redes de água e esgoto na área litorânea, o que também beneficiará a praia do Presídio e a de Iguape; 6) a Cagece lembra que mantém um intenso programa de investimento em todo o Estado, com uma especial atenção às áreas de grande necessidade como bacias dos rios Cocó, Maranguapinho e Siqueira, na Região Metropolitana de Fortaleza. Este blog considera que, se não forem só discurso de época eleitoral, são boas as notícias da CAGECE.

Turismo de qualidade só pode ser feito com saneamento básico

Turismo sobre fossas sépticas não é turismo de qualidade, mas de aventura. As mais frequentadas áreas de turismo de praia do Brasil — com as exceções da regra, e estas contam-se nos dedos — são carentes de redes públicas de água e de coleta e tratamento de esgotos. É assim em Porto de Galinhas, em Pernambuco, é assim na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte, é assim em Tambaba — santuário dos nudistas na Paraíba, é assim também aqui no Ceará tanto em Canoa Quebrada, quanto em Jaricoacoara; tanto em Cumbuco quanto no Porto das Dunas.

A própria estatal Companhia de Águas e Esgotos do Ceará (Cagece) informa que seus serviços não chegam a esses paraísos turísticos cearenses. Aí, então, surge a pergunta: para onde vai o esgoto sanitário dos condomínios, das unidades unifamiliares e dos parques de lazer? E de onde vem a água que consomem?

A resposta é imediata: do subsolo, onde estão as fossas sépticas, que são unidades de tratamento primário de esgoto doméstico nas quais são feitas a separação e transformação da matéria sólida contida no esgoto. Isto foi dito para suscitar a seguinte questão: não está na hora de a Cagece intervir nessas áreas turísticas e implantar nelas redes de água e esgoto? Ou devemos esperar mais algum tempo, até que o estouro de uma fossa assuste um turista estrangeiro e cause um escândalo na mídia internacional, ferindo a imagem do Ceará?