sexta-feira, 17 de junho de 2011

Novo valor do Campo do América caiu 70%


Mais de seis meses após a promessa de aquisição do terreno pela Prefeitura, a compra ainda está emperrada A alegria do estudante e jogador de futebol, João Victor Costa, 13, virou frustração. Há seis meses ele comemorava, junto com os amigos do "racha", a suspensão da venda do Campo do América, a promessa de aquisição por parte da Prefeitura e o projeto de reurbanização de responsabilidade do Governo do Estado. O que parecia ser um grande "gol de placa" bateu na trave e emperrou na burocracia. Só resta agora a desinformação. Nesta semana, o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) oficializou o novo valor para a venda. A quantia reduziu em 70%. Em novembro de 2010 estava orçado em R$ 6,2 milhões e caiu para R$ 1,8 milhão, com base em cálculos que levam em consideração o fato da área ser, conforme o Plano Diretor, uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis), sem permissão, no entanto, para qualquer edificação. Estas novas diretrizes foram feitas pela Caixa Econômica Federal, explica o gerente executivo do INSS em Fortaleza, Jorge Luiz Oliveira. Prioridade "O projeto já está em Brasília para que possamos organizar a venda. Ainda não recebemos uma formalização de interesse da aquisição por parte da Prefeitura, mas os entes públicos terão sim prioridade", explica. Ele acredita que, ainda neste ano, o negócio estará fechado. A redução no preço, segundo ele, poderá ser um grande chamativo. Moradores temem, no entanto, que esta "pechincha" possa mesmo é chamar atenção de outros empreendedores. "Dia desses um grupo veio perguntar o preço e dizer que queria construir uma Igreja Evangélica aqui", afirma o vendedor ambulante, Irismar Venâncio, 59. A presidente da Associação das Mulheres do Campo do América, Célia Silva, diz que todos os moradores esperam com muita expectativa a reurbanização do local que é a única área de lazer da comunidade, com mais de cinco mil moradores. O campo é a grande identidade do local, existe há mais de 150 anos e é ninho de formação de dezenas de futuros craques do futebol cearense. "Estamos em cima, pressionando, mas a demora está grande demais. Não há priorização nem da Prefeitura, nem do Estado. O povo já está é desesperançoso, acha que não vai ter mais nada. Era só barganha eleitoral", critica. Com ou sem as melhorias feitas, o terreno - de terra batida e sem grade - está lotado todos os dias. "O cruzamento da Rua José Vilar com a Rua Tenente Benévolo, no Meireles, não perde nada para o Estádio Presidente Vargas", brinca o técnico da Escola de Futebol Salvador Barbosa, Francisco de Assis Lima, 43. Segundo ele, o local parece um campo profissional. "Todos os dias têm aula e, durante à noite, mais de 50 jogadores ficam batendo um racha", comenta o técnico da Escolinha. Ele conta que a meninada cobra, pergunta quando vai ter grama, iluminação, gradeado e arquibancadas. "Vieram um dia aqui, fizeram maior festa no ano passado, mostraram umas imagens de como o local ficaria e nada mais aconteceu", diz a professora, Adriana Miranda. Se os moradores não conseguem ter informações, saber os rumos do projeto de venda e compra, o poder público também parece estar no mesmo rumo. Nenhuma das duas secretarias responsáveis - a Secretaria do Esporte do Estado do Ceará (Sesporte) e a Secretaria de Esporte e Lazer de Fortaleza (Secel) - tinham novidades e sabiam informar em que etapa as negociações estavam. A Coordenadoria de Projetos Especiais da Prefeitura de Fortaleza (Cooperii) também foi procurada, mas não tivemos êxito na confirmação do interesse da Prefeitura em adquirir mesmo o terreno. A assessoria de imprensa da Sesporte, por exemplo, disse que o projeto tinha sido feito pelo antigo titular e que, por isso, não havia mudanças; e a assessoria da Secel "empurrou" a missão de desvendar o mistério para o Executivo. Acompanhamento Com a tarefa de monitorar as negociações, o vereador Guilherme Sampaio (PT) diz estar fazendo ligações telefônicas diárias para o INSS e para a Caixa Econômica a fim de dar mais celeridade ao processo e liberar o Campo do América - que é de propriedade do Instituto - para posse da gestão municipal. "O processo não é tão simples. A prefeitura está tendo todo empenho. Já tínhamos o interesse pela área antes mesmo da redução do valor", comenta. O presidente nacional da Central Única das Favelas (CUFA), Preto Zezé, torce para que Governo e Prefeitura trabalhem juntos. "Estamos fazendo reunião os dois governos. Vamos tentar agilizar mais", diz.

Fonte: Diário do Nordeste Online

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