terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ambulantes tomam conta da Rua José Avelino


Cordão de isolamento no contorno da calçada, e senhorinha da limpeza com a vassoura em cima das lonas, enquanto a chuva não vinha. Antes da 7 horas da última quinta-feira, 20, e antes mesmo do meio-dia da quarta-feira, 19, os ambulantes da feira de confecções da rua José Avelino, Centro, ocupavam a calçada da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (Sefaz) – órgão responsável pela tributação sobre mercadorias, assunto desconhecido pelos trabalhadores informais.


A situação se repete a cada segunda e quinta-feira, quando o movimento do comércio local se intensifica graças à presença de clientes de outros estados. “Somos orientados a pedir para que saiam, mas eles voltam. E quando só tem um vigilante, como hoje, a gente só consegue manter a frente do prédio sem lona”, esclarece o vigia do prédio IV da Sefaz, na esquina das ruas José Avelino e Conde D’eu, que não quis se identificar. De frente para a Conde D’eu, a calçada cercada pelas cordas está livre, na outra rua, não.


Na manhã do dia 20, eram nove lonas, quatro araras e duas mesas apinhadas com mercadorias. “É lotado demais, não tem onde ficar. Cheguei três da tarde de ontem (19) pra conseguir esse lugar”, comenta a ambulante Flávia de Araújo, de 29 anos. O comerciante Humberto Rodrigues, 54, complementa o raciocínio: “Comecei a trabalhar aqui tem dois anos, já estava tudo ocupado. Encontrei meu lugar aqui. É pra onde venho toda vida”.


Fora do controle


Conforme a lembrança do dono de galpão Humberto Ferreira, 60, depois de os comerciantes na rua José Avelino abrirem espaço para mais pessoas venderem naquele espaço (após a proibição de ficarem em frente à Catedral), não deu uma semana, tinha o triplo de gente. “Pode abrir espaço, sempre aparece mais. É difícil controlar”, opina Humberto.


A visão do coordenador da execução tributária da Sefaz, Raimundo Morais, não é oficial do órgão: “Vemos isso como incômodo. Mesmo porque a fiscalização é municipal, somos os prejudicados. Então nos incomoda a insalubridade, a insegurança a força dessa autoridade informal, com pessoas que alugam barracas como se fossem donos da rua”, lista Morais.


Segundo ele, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) é cobrado sobre o tecido, quando entra no Ceará, mas, no caso do comércio informal, não é cobrado sobre a mercadoria. “É difícil precisar o prejuízo, porque depende de quanto custa a mercadoria”, informa.


Fonte: O POVO Online

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