sábado, 16 de maio de 2009

Ave Augusto Pontes


Fortaleza se despediu ontem de Augusto Pontes, filósofo, compositor, publicitário, ex-secretário de Cultura do Estado. Acima de tudo, um grande agitador cultural, capaz de costurar em torno de si artistas das personalidades mais distintas, atraídos pela inteligência inquieta e pela sempre-ironia que o fizeram guru de várias gerações.


"Quando a mesa cresce, a cultura desaparece". A frase ecoa desde os tempos de Bar do Anísio, na Beira-mar da Fortaleza dos anos 60. Em tom espirituoso, bem à cearense, integra a extensa lista de tiradas de um intelectual que sempre cuidou de unir as letras à boemia. Paradoxalmente, em desacordo com a própria assertiva, os muitos amigos que na manhã de ontem se despediram de Francisco Augusto Pontes tinham em comum a lembrança de uma pessoa absolutamente gregária.

Capaz de apaziguar interesses divergentes e egos inflados, reunindo à mesma mesa - ou na mesma produção cultural - artistas de diferentes linguagens, propostas, universos. Todos envoltos pela inteligência provocativa, mas também acolhedora, do guru da geração do Pessoal do Ceará. E de outras que a sucederam.
Extenso conjunto de matérias do Caderno 3 do Diário do Nordeste, feitas pelo Jornalista Dalwton Moura. Fotografia de André Lima, do Arquivo DN. Direito autorais preservados.

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