domingo, 24 de abril de 2011

A casa da mãe Joaninha

Uma sucessão de vexames públicos, escândalos administrativos, protestos populares e ondas de boatos corroem o já minguado capital político da prefeita de Fortaleza

Luizianne Lins, do PT, é desde o ano passado a detentora do título de a prefeita mais mal avaliada do país, segundo o Datafolha. Os últimos acontecimentos mostram que ela não deve perder o trono tão cedo. Em fevereiro, a prefeita tirou uma licença médica de dez dias. Voltou ao grito de Carnaval, envergando uma fantasia de joaninha, com direito a antenas e microssaia de bolinhas. Assim trajada, abriu a folia de Fortaleza, para, logo em seguida, bater asas para Salvador, onde curtiu a folia no camarote da cantora Daniela Mercury. Há duas semanas, decidiu retribuir a hospitalidade da artista contratando-a para cantar no aniversário de 285 anos da capital.

Luzianne novamente surpreendeu a população: escalou uma atriz para discursar em seu lugar e evitou, assim, as vaias com as quais a oposição pretendia ofuscar a apresentação da baiana. O show de Daniela Mercury custou 385.000 reais. Pegou mal. O valor é maior do que a dívida da prefeitura com um dos principais fornecedores de material cirúrgico da rede municipal de saúde. A falta de pagamento causou a suspensão das entregas do material na semana passada. “Ela pagou para o povo pular e beber cachaça em vez de cumprir suas obrigações com a saúde”, diz José Frota Neto, um dos credores.

Não foi a primeira vez que a prefeita usou o dinheiro público para demonstrar todo o seu apreço pelos cantores baianos, presença garantida nos réveillons de Fortaleza. Quatro dessas festas terminaram em pendengas jurídicas. Em todas, o motivo foi o mesmo: ausência de licitação e pagamentos de serviços não comprovados. Por exemplo, Luizianne declarou ter pago 715.000 reais de cachê a Caetano Veloso na última celebração. Alegou que o valor cobriu as passagens, as diárias e o transporte de equipamentos dos músicos que acompanhavam o cantor. O detalhe desconfortável é que Caetano havia feito um show-solo. À VEJA, o músico acusou a prefeitura de ter pago as despesas que ele não fez, nem cobrou.

Mesmo quando consegue comprovar suas despesas, a petista encontra problemas para justificá-las. O Tribunal de Contas do Ceará descobriu que, em 2007, ela usou o cartão corporativo pago pela prefeitura em uma loja de eletrônicos da Itália. Em 2008, Luizianne reincidiu. Mãe de um menino de 11 anos, foi flagrada passando o cartão em uma loja de brinquedos de Fortaleza. Aperreada com a repercussão do caso, requereu segredo de Justiça sobre os papéis. Sua mãe, a suplente de deputada estadual Luiza Lins, é outra fonte de problemas. Luiza não só construiu uma casa no meio de uma reserva ambiental como a está ampliando. Para não ser flagrada, pôs a obra em nome de um laranja. Só voltou atrás quando a ilegalidade foi descoberta pelo Mnistério Público Federal. Diante da casa em que mora, doze guardas municipais costumavam ficar postados até o Ministério Público estrilar. Apesar da proibição legal, Luizianne saiu em defesa da medida, alegando que ela visa à segurança do seu filho, que passa os dias com a avó.

Tantas são as reinações da petista em Fortaleza que acabaram inspirando a oposição a usar a internet para organizar manifestações públicas contra ela – no Ceará assim como no Egito. O movimento é liderado pelo dono de uma loja de manutenção de computadores, Tarsis Rocha. Ele conectou 7000 eleitores em redes sociais nas quais são divulgadas críticas e notícias sobre a prefeita. No dia 1° de abril, Rocha tentou converter a Rua São José, sede da prefeitura, em uma versão cariri da Praça Tahir, que sediou o movimento responsável pela queda do ditador Hosni Mubarak. Na ocasião, Rocha não conseguiu reunir mais do que 250 revoltosos. Espera ter mais sucesso na segunda passeata, marcada para o fim deste mês.

Solteira, alegre e jovial aos 42 anos, Luizianne não faz segredo de que mantém uma forte amizade com o empreiteiro Carlos Fujita. Os rumores de que os dois teriam um romance aumentaram de volume quando a prefeita ergueu (com dinheiro público, claro) um jardim japonês na orla de Fortaleza, em frente ao prédio onde mora Fujita. Recém-inaugurada, a obra homenageia o avô de Fujita e sua execuação coube a uma prima do empresário. Luizianne disse que o jardim não foi feito para agradar ao nipo-namorado, mas para homenagear a comunidade japonesa de Fortaleza. São 300 famílias.

Fonte: VEJA Online




4 comentários:

Ed+ disse...

Já sei já sei... É tudo culpa da oposição e de poucos anônimos que tentam destruir o belo governo da Fortaleza Bela DELA! É tudo mentira, não tem nada de lixo lama e favela, buracos são produtos do photoshop, Che Guevara foi um grande libertador no sertão cearense e os japoneses colonizadores e fundadores da capital alencarina!!!

Ana de Fortaleza disse...

Que absurdo... Mas como disse Zeca Baleiro no penúltimo carnaval em Fortaleza... Essa é nossa Prefeita Foliã!

Rebecaa disse...

GALERA ESSA REVISTA VEJA DESTA SEMANA ESTA SHOW DE BOLA. ESSE SRº LUÍS BARROSO É DEMAIS, POR COLOCAR ESSA REALIDADE NA REVISTA VEJA DE TODO O BRASIL. VALEU SRº LUÍS. MANDE VER COM A SUA VEJA. VALEU

Natália disse...

a prefeita tem é que parar de fazer festa e começar a fechar os buracos da cidade, que está parecendo a lua cheia de crateras.eu sentia era vergonha quando passava a propaganda do aniversário de Fortaleza, que mostrava só a parter mais ou menos arrumada da cidade,por que a periféria está entregue as baratas, muito lixo,lama , buracos,matagal nos campos e praças, locais de lazer abandonados entre outros.
Essa prefeita deve ser a encarnação do Deus Grego Dionisio,tendo como diferença a influência benéfica que ela não possui.